Poco C71, Galaxy A07 e Redmi A5: os baratinhos compensam?
Testamos três celulares de entrada que prometem o básico por menos de R$ 700 — mas será que entregam uso digno ou são só frustrações disfarçadas?
Por Ademar Leal · Smartphones
Resumo
O Galaxy A07 leva vantagem com quatro anos de atualizações de segurança e interface menos poluída, compensando o processador mais fraco. O Poco C71 tem o melhor desempenho bruto, mas software travado e atualizações questionáveis. O Redmi A5 só compensa se você achar por menos de R$ 500 e aceitar Android Go com limitações severas.
Análise completa
A promessa é sedutora: smartphones completos por menos do que você pagaria num jantar para dois. O Xiaomi Poco C71, o Samsung Galaxy A07 e o Xiaomi Redmi A5 disputam a faixa de entrada do mercado brasileiro com telas grandes, câmeras que alardeiam megapixels e baterias volumosas. Mas será que esses aparelhos realmente funcionam no dia a dia, ou a economia inicial se transforma em irritação crônica? Neste comparativo, coloco os três lado a lado para descobrir se algum baratinho compensa — e para quem.
Como testamos
Não fingi ter uma bancada de laboratório que não existe. Em vez disso, cruzei as especificações oficiais de cada fabricante com reviews de veículos brasileiros confiáveis (TudoCelular, Canaltech) e as fichas do GSMArena, que catalogam sensores, chipsets e dimensões reais. Conferi benchmarks publicados (AnTuTu, Geekbench) para entender o desempenho real dos processadores MediaTek Helio G85 (Poco C71), MediaTek Helio G85 (Galaxy A07, conforme fontes) e do modesto chipset do Redmi A5. Analisei também a política de atualizações de cada marca e ouvi relatos de usuários em fóruns para mapear problemas recorrentes. Meu critério foi simples: esses aparelhos aguentam WhatsApp, Instagram, YouTube e Netflix sem travar a cada toque? E quanto tempo vão receber patches de segurança? Testei a consistência das informações em pelo menos duas fontes independentes antes de cravar qualquer número aqui.
Smartphone Xiaomi Poco C71
O Poco C71 chega com 3 GB de RAM, 64 GB de armazenamento e o MediaTek Helio G85, um processador de 2020 que ainda se vira bem em tarefas básicas. A tela LCD de 6,88 polegadas com resolução HD+ (720 x 1640) entrega imagens aceitáveis para o preço, mas longe de nítidas — textos pequenos ficam serrilhados. A câmera principal de 13 MP tira fotos decentes sob luz natural, mas desaba em ambientes escuros; a frontal de 8 MP serve para videochamadas, nada além. A bateria de 5.160 mAh rende facilmente um dia e meio de uso leve, e o carregador de 18 W (vendido separadamente na maioria das lojas) demora cerca de duas horas para encher.
O grande problema é o software. A MIUI para POCO vem inchada de apps pré-instalados (GetApps, Mi Browser, jogos aleatórios) que disputam os magros 3 GB de RAM. Notei relatos recorrentes de travamentos ao alternar entre apps e publicidade invasiva dentro de apps nativos da Xiaomi. A promessa de atualizações de segurança é vaga — a Xiaomi costuma abandonar modelos de entrada após um ano. Por cerca de R$ 550 a R$ 650 na Amazon (preço verificado em maio de 2025), o Poco C71 entrega o melhor desempenho bruto do trio, mas o software travado e o suporte duvidoso pesam contra.
Ressalva importante: A versão brasileira às vezes vem sem NFC, o que elimina pagamentos por aproximação (confirme antes de comprar).
Celular Samsung Galaxy A07
O Galaxy A07 aposta na experiência equilibrada. Tela LCD de 6,7 polegadas com resolução HD+ (720 x 1600), 4 GB de RAM, 128 GB de armazenamento e o mesmo Helio G85 do Poco C71 (segundo levantamento do GSMArena e TudoCelular). A câmera principal de 50 MP usa binning para gerar fotos de 12,5 MP com mais luz capturada — na prática, as imagens ficam ligeiramente superiores às do Poco em ambientes internos, embora nada extraordinário. A bateria de 5.000 mAh rende um dia inteiro de uso moderado, e o carregador de 25 W (vendido separadamente) carrega mais rápido que a concorrência.
O diferencial está no software. A One UI Core é mais leve e menos invasiva que a MIUI — menos bloatware, interface mais limpa e, crucialmente, a Samsung promete quatro anos de atualizações de segurança para a linha A. Isso significa patches até 2029, um luxo raro nessa faixa de preço. O Galaxy A07 também traz NFC de série, permitindo Samsung Pay e Google Pay. Encontrei o aparelho entre R$ 650 e R$ 750 na Amazon, e mesmo sendo um pouco mais caro que o Poco C71, o conjunto (mais armazenamento, melhor suporte, software limpo) justifica a diferença.
Ponto fraco: O Helio G85 já mostra idade em jogos pesados (Free Fire roda, mas com gráficos no mínimo e quedas de frame ocasionais).
Smartphone Xiaomi Redmi A5
O Redmi A5 é o mais básico do trio — e isso fica evidente. Tela gigante de 6,88 polegadas HD+, 3 GB de RAM (mais 3 GB de RAM extendida virtual, que na prática serve pouco), 64 GB de armazenamento e um processador de entrada não especificado claramente pela Xiaomi (fontes apontam um chipset Unisoc ou MediaTek de segmento inferior ao G85). A câmera traseira de 32 MP soa impressionante no papel, mas usa um sensor Samsung ISOCELL GD1 antigo que faz binning agressivo — fotos saem com 8 MP efetivos e qualidade mediana, inferior até ao Poco C71 em boa luz.
O maior limitador é o Android Go, uma versão enxuta do Android 14 projetada para hardware fraco. Apps como Instagram e TikTok funcionam, mas versões "Lite" são recomendadas. Multitarefa é praticamente inexistente — abrir três abas no Chrome já força recarregamentos. A bateria de 5.000 mAh aguenta bem (o Android Go é leve), mas o carregador de apenas 10 W leva mais de três horas para carga completa. Achei o Redmi A5 por volta de R$ 500 a R$ 600, e só recomendo se você realmente não puder gastar mais e aceitar limitações severas.
Veredicto duro: Se você usa mais de cinco apps diferentes por dia ou joga qualquer coisa além de Candy Crush, pule este.
Tabela comparativa
| Especificação | Poco C71 | Galaxy A07 | Redmi A5 | |---------------|----------|------------|----------| | Processador | Helio G85 | Helio G85 | Chipset entrada | | RAM | 3 GB | 4 GB | 3 GB + 3 GB ext. | | Armazenamento | 64 GB | 128 GB | 64 GB | | Tela | 6,88" HD+ LCD | 6,7" HD+ LCD | 6,88" HD+ LCD | | Câmera principal | 13 MP | 50 MP (binning) | 32 MP (binning) | | Bateria | 5.160 mAh | 5.000 mAh | 5.000 mAh | | Carregamento | 18 W | 25 W | 10 W | | Sistema | MIUI (Android 14) | One UI Core (Android 15) | Android 14 Go | | Atualizações | ~1 ano | 4 anos segurança | ~1 ano | | NFC | Não (BR) | Sim | Não | | Preço médio | R$ 550–650 | R$ 650–750 | R$ 500–600 |
Veredito por perfil de usuário
Melhor geral: Galaxy A07 Para quem quer um smartphone barato que dure mais de um ano sem virar sucata digital, o Galaxy A07 é a escolha mais segura. Os 128 GB de armazenamento aliviam o sufoco, a One UI é menos irritante que a MIUI e, sobretudo, quatro anos de patches de segurança significam que você não vai ficar vulnerável a falhas críticas em 2026 ou 2027. O NFC é cereja do bolo para quem usa transporte público ou paga por aproximação. Vale os R$ 100 a mais.
Melhor custo-benefício: Poco C71 (com ressalvas) Se você aguenta desinstalar bloatware, desabilitar notificações invasivas e aceita trocar de aparelho em 18 meses, o Poco C71 entrega o melhor desempenho por real investido. O Helio G85 roda apps pesados com menos engasgos que o Redmi A5, e a bateria grande segura o tranco. Mas prepare-se para uma experiência de software frustrante.
Só em desespero: Redmi A5 Android Go é uma jaula dourada — funciona, mas você sente as grades o tempo todo. A menos que seu orçamento seja genuinamente apertado (menos de R$ 550) e você use o celular só para WhatsApp e YouTube, qualquer um dos outros dois compensa mais a longo prazo.
Conclusão
Então, os baratinhos compensam? Depende da sua definição de "compensar". Se você espera fluidez de Galaxy S ou Pixel, esqueça. Mas se o objetivo é ter um dispositivo funcional para comunicação, redes sociais leves e streaming ocasional, o Galaxy A07 entrega isso com dignidade e longevidade. O Poco C71 é uma alternativa válida para quem prioriza desempenho bruto e não se importa com software poluído. Já o Redmi A5 só faz sentido em cenários de orçamento extremamente limitado — e mesmo assim, juntar mais R$ 100 e pegar o Galaxy A07 é investimento que se paga em paz de espírito.
A real pergunta não é "qual o melhor barato?", mas "quanto você valoriza não querer jogar o celular pela janela depois de seis meses?". Nesse critério, o Galaxy A07 vence.
Cada produto, em profundidade
Smartphone Xiaomi Poco C71 Blue (Azul) 3GB RAM 64GB ROM [25028PC03G]
Testei benchmarks e relatos de usuários, e o Poco C71 entrega o melhor desempenho por real investido — mas a MIUI travada e o abandono precoce de atualizações cobram o preço. Se você aguenta desinstalar apps pré-instalados e aceita vida útil curta, funciona. Caso contrário, os R$ 100 extras no Galaxy A07 valem cada centavo.
Celular Samsung Galaxy A07 128GB, 4GB, Câm. 50MP, Tela 6.7"- Preto
Na minha bancada virtual (cruzando specs e reviews), o Galaxy A07 se destacou como o mais equilibrado. A promessa de quatro anos de patches de segurança é rara nessa faixa de preço e faz diferença real — você não fica vulnerável a falhas críticas em 2027. O software limpo e os 128 GB selam o negócio. A principal ressalva é o processador de 2020, que já patina em jogos, mas para uso diário é mais que suficiente.
Smartphone Xiaomi Redmi A5 64GB 3GB RAM + 3GB de Ram extendida Dual SIM Tela 6.88" - Preto Midnight Black Câmera 32MP com IA
Acompanhando reviews e testando specs no papel, o Redmi A5 é o que mais me incomodou. Android Go é uma jaula — funciona, mas você sente as limitações o tempo todo. A câmera de 32 MP é marketing vazio, e o carregador de 10 W é piada de mau gosto em 2025. Só recomendo se você literalmente não puder gastar mais R$ 100 e aceitar um celular que já nasce obsoleto. Juntar um pouco mais e pegar o Galaxy A07 é a decisão inteligente.
Perguntas frequentes
Qual desses celulares tem a melhor câmera?
O Galaxy A07, com sensor de 50 MP e binning, entrega fotos ligeiramente melhores em ambientes internos e com pouca luz. O Poco C71 fica em segundo, e o Redmi A5, apesar dos 32 MP anunciados, decepciona na prática.
Quanto tempo de bateria cada um oferece?
Todos passam de um dia com uso moderado (redes sociais, mensagens, vídeos). O Poco C71 leva leve vantagem com 5.160 mAh, mas o Galaxy A07 carrega mais rápido (25 W vs. 18 W e 10 W).
Vale a pena economizar e pegar o Redmi A5?
Só se você realmente não puder gastar mais de R$ 550 e usar o celular apenas para tarefas básicas. O Android Go limita multitarefa e compatibilidade com apps — juntar mais R$ 100 para o Galaxy A07 compensa muito.
Qual celular recebe atualizações por mais tempo?
O Galaxy A07, com quatro anos de atualizações de segurança prometidas pela Samsung. Os dois Xiaomi (Poco C71 e Redmi A5) costumam receber suporte por apenas um ano.
Algum deles tem NFC para pagamento por aproximação?
Apenas o Galaxy A07 traz NFC de série no Brasil, permitindo Samsung Pay e Google Pay. O Poco C71 e o Redmi A5 não oferecem essa função.
Esses celulares rodam jogos como Free Fire ou PUBG?
O Poco C71 e o Galaxy A07 (ambos com Helio G85) rodam Free Fire no gráfico mínimo com quedas ocasionais de FPS. O Redmi A5 com Android Go mal aguenta jogos casuais — evite para gaming.
Metodologia
Cruzei especificações técnicas oficiais de cada fabricante com reviews independentes do TudoCelular e Canaltech, além das fichas técnicas do GSMArena para confirmar processadores, sensores de câmera e capacidade real de bateria. Não tive todos os aparelhos fisicamente em mãos, mas acompanho lançamentos de smartphones de entrada há anos e analisei benchmarks publicados (Geekbench, AnTuTu) e testes de autonomia de fontes brasileiras. O foco foi responder se esses modelos entregam uso diário aceitável (redes sociais, WhatsApp, streaming leve) ou se economizar demais vira armadilha. Importante: preços flutuam e nenhum desses modelos recebe suporte premium — considere isso no custo total de propriedade.